Arquivo para agosto, 2009

A paixão de Cristo

Posted in Palavra de Deus with tags , , on agosto 15, 2009 by rafaelvictor

Museum_ROW866321700Quem é Deus para você? Que imagem você tem Dele, como você o vê?

Nossa vida é uma máquina fotográfica, uma câmera contínua que está a gravar as coisas mesmo quando a gente nem percebe. E essas fotos e estes filmes vão criando a nossa concepção de ver as coisas, de interpretar de achar. E essas concepções e achismos que criamos ás vezes criam uma maneira falsa de ver e imaginar como Deus é e como muitas outras coisas também são.

Mas o primeiro passo para saber como Deus é e conhecê-lo através de sua palavra revelada a nós…

Colossenses 1.15,16 15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

Eu nunca vi Deus… Mas Deus se faz ser visto por mim. Quando Ele veio como um homem na forma de Jesus, suas atitudes, seu falar demonstram quem é Deus.

O problema é que criamos na nossa mente ás vezes uma imagem diferente de Deus que não tem nada a ver com aquilo que Jesus é. Isso acaba sendo fruto de nossos medos, culpas, cobranças, conflitos, ensinamentos errados, justiça própria, tentativas de merecer algo, questões mal resolvidas, interesses humanos.

Temos a tendência de achar que vamos ser aceitos por Deus somente quando fizermos algo para agradá-lo e não entendemos assim a sua graça, o seu favor não merecido. O que você fizeram pra existir? Que esforço você faz pra respirar? Tudo isso é graça de Deus, você existe porque Deus quis.

Tiago 1.17 Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.

Deus não muda. Seu modo de agir mostrado através de Jesus é o mesmo modo que Ele quer agir em nossas vidas.

Ele perdoou os pecados e as falhas das pessoas naquela época. Ele pode perdoar as nossas hoje também.

Ele levantou paralíticos e curou cegos naquele tempos, e hoje ele pode realizar milagres também. Mas não só físicos. Há muitas pessoas paralisadas na alma, na vida com Deus, e também cegas, não enxergando o propósito de vida que Deus tem pra elas. Ele amou todas as pessoas e hoje ele ama a também.Mesmo aquelas que não acreditam nele.

Ele fazia isso por agir “com paixão” pelas pessoas… Porque Deus é Amor. E a exata imagem de Deus, eu só vejo realmente em Jesus, o Deus conosco, a Palavra que se fez carne, o Verbo que se fez gente. Se você tem sido apresentado ou apresentada a um Deus distante, negociante de favores, sempre insatisfeito com as pessoas, ameaçador, amedrontador, implacável, cobrador, detetive de pecados, sempre exigindo mais e mais e que parece ter prazer em desnudar e envergonhar as fraquezas das pessoas diante dos outros – tenha certeza de que este não é o Deus que Jesus Cristo nos revelou.

Basta ler os Evangelhos, com honestidade e sem as lentes da religião, que você vai enxergar isto claramente. O Deus que se revelou em Jesus me atrai por Seu amor, por Sua compaixão e por Sua misericórdia. Ele me constrange por Seu amor. Ele é um Deus que tem prazer e alegria em perdoar. Foi Ele quem veio me buscar e salvar. Cristo deu Sua vida por nós sendo nós ainda pecadores.

Paixão, na enciclopédia é a necessidade de ver outra pessoa, de estar perto de outra pessoa. Os pensamentos da pessoa se voltam somente para aquela pessoa, todo o resto se torna irrelevante para outra pessoa. Essa foi a paixão de Deus por nós, e podemos corresponder com Ele dessa mesma maneira. E embora digam que paixão é passageira, a paixão de Deus por nós é eterna, seu amor por nós é pra sempre, e só não estaremos com Ele pra sempre se nós mesmos não quisermos estar com Ele!

E o único modo de ser salvo é pela graça – por Seu favor e imensa bondade que nenhum de nós mereceu, merece e nunca merecerá. Entender isto me faz aprender que temer a Deus não é ter medo dele, mas reverenciá-lo, amá-lo, admirá-lo, respeitá-lo, servi-lo, segui-lo, adorá-lo e submeter-se a Ele – não por pavor, mas por amor; não por medo do juízo, mas porque ninguém me amou como Ele me amou.

1João 4.18 No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.

O que Jesus fez ali na cruz por nós é chamado ás vezes de a paixão de Cristo. Jesus nos amou tanto que suportou fortes sofrimentos que o levaram até a morte. Isso foi porque Ele nos amou, cada um de uma maneira bem especial. Ele preferiu morrer a viver sem a gente. Mesmo sabendo que muitos não creriam, não acreditariam no amor que Ele mostrou por nós, Ele foi lá e fez.

Ele nos amou até as últimas conseqüências. E se Ele foi capaz de dar a Sua vida por mim, o que mais Ele não fará por mim? Se o Pai foi capaz de entregar o próprio Filho amado por mim, o que mais Ele não me dará juntamente com Ele? A minha maior riqueza é o amor de Deus por mim. Tudo mais vem e virá disto. Somos amados e guardados neste amor que está em Jesus: um amor que excede, que vai além de todo o entendimento.

Corresponda ao amor de Deus em sua vida, buscando segui-lo. Quando você conhecer e amar a Jesus tudo que você fizer por Ele não vai ser por obrigação, por religiosidade, mas por amor! Uma pessoa apaixonada não mede esforços para agradar a pessoa amada. Ele não faz isso por obrigação, por recompensas, ou qualquer coisa. Mas faz simplesmente por amor.

Busque ser apaixonado por Jesus. Ninguém fez o que Ele fez por você. Quando a minha relação com Deus é baseada no amor que Ele tem por mim, mesmo em meio aos meus conflitos e lutas, eu sei que não importa o que aconteça, nada e ninguém podem me separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus o nosso Senhor. Eu sou indescritivelmente amado por Deus e Ele nunca vai me deixar e jamais vai me desamparar.

As lutas e tempestades da vida vêm e vão, mas o amor de Deus por mim permanece. Ninguém pode me arrebatar de Suas mãos e a minha vida está escondida com Cristo em Deus.

Romanos 8.39,40

38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,39 Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

Hoje estamos na era da graça, no tempo onde o amor de Deus pode se achegar e se revelar nos corações abertos para isso. Busque apaixonar-se pelo Deus que criou todo o Universo mas escolhe morar dentro do seu coração! Abra os olhos para ver esse Deus de Amor!

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A arca de Noé…

Posted in Palavra de Deus with tags , , on agosto 8, 2009 by rafaelvictor

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Lucas
17:26
E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem.
Lucas
17:27
Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos.

Lucas17:26-27

E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem.Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos.

Há alguns  anos atrás eu participei de um congresso e nele foi exibido um vídeo em que uma mulher estava num carro sozinha em um lugar estranho, muito escuro, e ela estava com medo, como se alguém a estivesse observando, então eu já não me lembro muito bem acho que ela trancou as portas e ficou ali com muito medo.

Do nada então alguém começou a bater na porta, mandando ela sair. Era um homem meio esquisito e ela com medo não quis sair de jeito nenhum. Por um instante, ela pensou que ele tinha ido embora, mas ela levou um grande susto quando o vidro se quebrou depois de ele ter usado algo. Ele então a agarrou e começou a puxá-la para fora, e ela começou a gritar, segurou no carro mas acabou saindo.

O homem a afastou do carro correndo, e ela olhando para trás pode ver naquela hora um trem batendo e destruindo o seu carro. Ela havia parado o seu carro sem ver em uma ferrovia, e ele estava tentando tirar ela de lá e preservar a sua vida.

Ele estava tentando salvar a vida daquela mulher e ela não entendia isso.

E hoje talvez ainda seja assim…

A igreja tenta alertar e tirar as pessoas deste mundo de uma vida que vai levar todos a morte e condenação eterna, mas muitos não entendem a nossa vontade de salvá-los e se negam a sair do carro e de uma posição que as pode destruir para sempre.

Jesus alertou que os últimos dias seriam parecidos com os de Noé.

E o que eles faziam naqueles dias? Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento. Resumindo viviam uma vida normal, faziam suas vontades, suas necessidades e se esqueciam de Deus. Isso fez o coração deles se inclinar para o mau e cortou o coração de Deus.

(Gênesis 6:5-8) – E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.

O que hoje é igual aos dias de Noé? A maldade do homem está se multiplicando sobre toda a terra. Guerras, ódio, pais matando filhos, filhos matando pais, a vontade do homem prevalecendo sobre a de Deus fazendo com que todo tipo de perversidade tome conta da terra.
O juízo dele se aproxima e devemos lembrar que Ele é um Deus de infinito amor mas também é o Justo Juiz. Dessa vez não vai ser um dilúvio mas vai ser o juízo final. O  trem está se aproximando cada vez mais na estrada onde o carro está.
Talvez você possa dizer no seu coração, eu não sou mal eu não pratico crimes, não roubo nada de ninguém. Vivo minha vida normal e estou bem assim.
Jesus disse que os últimos dias seriam iguais ao de Noé porque iria pegar muita gente desprevinida. Deus mandou um dilúvio a terra por causa da maldade do homem, mas fez uma aliança com um homem chamado Noé, mandando ele construir uma arca para si e sua família e para preservar os animais da terra.
O juízo está vindo, mas Deus pode agir com bondade para conosco assim como Ele agiu com Noé.
(Gênesis 6:9-22) – Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.
E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé. A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.
E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.
Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.
Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume.
E desta maneira a farás: De trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinqüenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura.
Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares, baixo, segundo e terceiro.
Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará.
Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo.
E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão.
Das aves conforme a sua espécie, e dos animais conforme a sua espécie, de todo o réptil da terra conforme a sua espécie, dois de cada espécie virão a ti, para os conservar em vida.
E leva contigo de toda a comida que se come e ajunta-a para ti; e te será para mantimento, a ti e a eles.
Assim fez Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.
(Gênesis 7:1) – DEPOIS disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração.
Podemos construir uma arca que nos salvará e essa arca hoje é a Igreja de Cristo.
Outro detalhe é que antes do Dilúvio nunca havia chovido na terra. As pessoas com certeza não acreditaram quando ele disse a elas que ia construir uma grande arca, por causa que ia cair água do céu.
Resumindo para as pessoas daquela época o que Noé estava fazendo era uma loucura.
E hoje se anunciamos que um dia que pode ser amanhã ou daqui a cem anos o céu vai se abrir e Jesus vai voltar, também somos considerados malucos.
Pela fé Noé creu e cumpriu a missão de Deus na terra.
Pela fé também podemos crer e cumprir a missão de Deus nessa geração.
A arca também é bastante semelhante a igreja. Era cheia de espécies diferentes. E hoje nós também com muitas diferenças temos de estar juntos em um mesmo lugar, reunidos com uma mesma fé e um mesmo propósito.
Alguém disse que se encontrarmos uma igreja perfeita devemos sair dela pois se tornarmos membros dela ela vai ficar imperfeita.
Devemos abrir mãos das nossas diferenças, suportar uns aos outros para chegarmos ao destino final.
Você é chamado para ser um Noé nessa geração.
Deus tem te chamado porque vê em você um instrumento para o seu propósito eterno.
Deus tem achado graça em Ti!
Fique firme nessa nova arca, na Igreja de Cristo, busque mostrar a salvação em Cristo Jesus para tantas pessoas quanto você for capaz de mostrar.
Desafie as pessoas a viverem uma loucura que tem um grande sentido.
Hebreus 11:7
Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.
Deus abençoe na prática da palavra!

A racionalidade do Cristianismo

Posted in Isto é interessante on agosto 7, 2009 by rafaelvictor
por César Moisés Carvalho
A história da humanidade é marcada pelo surgimento e extinção de formas exóticas de expressão religiosa. Analisar a história geral e desta delimitar a das religiões já é uma pretensão das mais ingentes, agora falar em captar o fenômeno chamado religião dentro do fluxo da existência humana, exige do pesquisador a decência e a honestidade (consigo, com o objeto, com o método e com as pessoas) de deixar claro que isso só é possível após assumir que, como disse C. S. Lewis, “o resultado da pesquisa histórica depende do ponto de vista filosófico que adotamos, antes mesmo de analisar as evidências. A questão filosófica precisa, portanto, ser considerada em primeiro lugar”.
Esse pressuposto é crucial para a análise de qualquer fenômeno, pois os resultados serão, durante todo o processo, influenciados por esse fundamento inicial. Se a pesquisa parte do princípio que tudo que existe é produto do acaso, da geração espontânea ou abiogênese, então, do ponto de vista puramente pragmático, é preciso explicar o porquê da existência de determinadas disposições que caracterizam o ser humano sem, no entanto, evidenciar qualquer necessidade biológica que as justifiquem. Em outros termos, à luz deste aspecto, não há uma razão plausível para explicar o fenômeno religioso. Em uma pesquisa séria, essa constatação levaria o estudioso a eliminar tal hipótese e aventar outra.

Perscrutando a religião (a disposição do ser humano em se relacionar com o transcendental), pelo viés da criação planejada ― resultado final de um projeto inteligente, cujo Artífice criou todas as coisas com um propósito definido ―, fica mais do que evidente que qualquer conclusão sobre sua origem, finalidade e desenvolvimento, será totalmente marcada por essa cosmologia, concepção de mundo ou cosmovisão.

Assim, deixo clara minha posição (pela revelação bíblica, acima de tudo, pela experiência do dia-a-dia e até pela lógica do surgimento da religião que confunde-se com a própria existência da humanidade e não é meramente uma construção social), de que acredito que Deus é a origem desse desejo inerente à natureza humana, e que foi Ele que insuflou-nos essa ânsia por buscar algo que transcenda a existência material e a percepção sensorial. Para citar um conhecido pensamento de Agostinho em Confissões: “Tu nos fizeste para ti mesmo, e nossos corações estão inquietos até que descansem em ti”.

Involução da religião

David Hume, um dos principais representante do racionalismo iluminista, afirmou em sua História natural da religião (1757), que parece “evidente que a primeira e mais antiga religião da humanidade foi o politeísmo”. Diante desse fato, muitos questionam: “Se o Deus da Bíblia realmente é o único que existe, por que não se encontra nenhum vestígio de inscrições ou figuras representativas dEle?”

Qualquer leitor da Bíblia sabe muito bem que o Eterno condena qualquer tentativa de as pessoas o representá-lo (Ex 20.4). Pouca informação há sobre o período antediluviano, entretanto, é sabido que por um tempo considerável, uma geração de pessoas celebrava o culto ao Senhor, isto é, praticava o monoteísmo, o culto ao único e verdadeiro Deus (Gn 4.4,26; 5.22-24,29; 6.8,9). Sem considerar o período pré-Queda, uma época histórica imediatamente após a Criação (a qual não se sabe quanto tempo durou), que pela leitura do texto bíblico, mostra que o homem possuía uma interação muito próxima com o Divino e, portanto “não havia” curiosidade acerca de Deus (Gn 3.8). Imagina-se que após a Queda, a disposição humana em buscar o transcendental foi uma das primeiras atitudes do homem em que se percebe o seu equívoco em relação aos fenômenos da natureza e da própria existência do universo. Após o rompimento da relação com o divino, o ser humano “perde a memória”, se embrutece e, sem entender o que ocasionava trovões e relâmpagos, por exemplo, inventa uma explicação mitológica para dar conta de assimilá-los. Com isso, cria-se o politeísmo, a ideia de que existia um deus para cada necessidade básica do ser humano.

O ressurgimento do monoteísmo
Considerando o período de existência de muitas outras civilizações, Israel pode ser considerado uma nação “jovem”. Uma das questões debatidas na teologia é justamente a experiência da revelação do Eterno a Abraão (pai da nação israelita). Como se deu a sua experiência com Deus? Em um mundo mergulhado na idolatria, seguir um Deus que se revelou, mas exigiu exclusividade, não é algo tão simples quanto erroneamente se presume. O teísmo é algo tão original e revolucionário, que na época em que a tribo nômade de Israel teve que definitivamente se decidir acerca de servir ou não a Javé, salta aos olhos a dificuldade que o povo enfrentou até se desvencilhar das práticas pagãs e politeístas adquiridas no Egito (na realidade, Israel somente se libertou da idolatria após a dura lição do exílio).
Apesar de se constituir em um simplismo o argumento do ateu Richard Dawkins (retomando obviamente o raciocínio do cético David Hume), de que o monoteísmo é uma evolução do politeísmo e que, o próximo passo de “libertação” do pensamento religioso será o ateísmo, não deixa de ser interessante o reconhecimento de que a crença em um único Deus seja algo mais elaborado do que a credulidade em vários. Se para a mente moderna isto ainda é uma verdade, imagine para a remota época do pai da fé e amigo de Deus que, séculos depois, resgatou o monoteísmo no mundo antigo.
A racionalidade do cristianismo
Na linha do teísmo bíblico veterotestamentário, onde há milênios existia a promessa de um momento de restauração da possibilidade de o homem reatar o relacionamento com o seu Criador (Gn 3.15), é imprescindível atentar para o fato de que o advento de Cristo, em sua encarnação, demarca o apogeu de tais oráculos proféticos (Jo 1).
Conforme ilustra Alister McGrath, em Paixão pela verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo, “dentro de nós há um relacionamento com Deus – relacionamento fraturado – e uma receptividade para com Deus – receptividade insatisfeita. A criação estabelece uma potencialidade, que o pecado frustra – contudo, a mágoa e a dor daquela frustração continuam vivas em nossa experiência. É esse mesmo senso de vazio que, em si, está por trás da idéia de um ponto de contato. Estamos apercebidos de que algo está faltando. Podemos não ser capazes de dar-lhe o nome. Podemos ser incapazes de fazer alguma coisa a respeito. O evangelho cristão, porém, é capaz de interpretar nosso desejo ardente, o sentimento de não nos sentir realizados, como uma percepção da falta de Deus – e assim prepara o caminho para a realização. Uma vez que reconhecemos que estamos incompletos, que nos falta algo, começamos a pensar se esse vazio espiritual poderia ser preenchido. É este impulso que está por trás da busca humana por realização religiosa – uma busca que o evangelho vira de ponta cabeça com sua declaração de que fomos buscados pela graça de Deus” (p.186).
Sem levar em conta o evangelho pragmático e individualista que existe na atualidade (as pessoas só buscam Jesus pensando em solucionar problemas pessoais), a fé cristã exige do indivíduo o perfeito entendimento da mensagem bíblica e atitudes muito bem refletidas (e não reflexas) e pensadas para que ele possa aceitá-la. À mulher samaritana, no poço de Jacó, Ele disse que os samaritanos adoravam o que não conheciam (Jo 4.22). Quando o apóstolo Paulo fala do culto racional (Rm 12.1), não há como fugir da verdade contida no texto: só pode adorar a Deus aqueles que possuem uma consciência de quem Ele é! O culto não pode ser algo mecânico e rotineiro, antes, para prestá-lo eficientemente, é imprescindível o uso da inteligência, da lucidez e principalmente do sentimento de gratidão e reconhecimento do “tamanho” da dívida que o sangue de Jesus pagou! Acima de tudo existe ainda o mais importante propósito: o ser humano – assim como todas as coisas – foi criado para a glória de Deus.
Diferentemente de outras religiões, o cristianismo – em sua acepção mais essencial, e não banalizada institucionalmente com a multiplicidade de denominações – promove o ser humano e não exige a sua anulação ou rebaixamento (como se animal fosse), a fim de satisfazer algum capricho ascético ou extático de uma divindade narcisista. Distintamente das outras, ele não requer intelectualidade acima da média, mas também não aceita irracionalidade, pois para decidir-se por seguir a Jesus Cristo, é preciso estar plenamente cônscio da realidade do próprio pecado e reconhecer que só o sacrifício vicário e expiatório da cruz é que pode salvar.
O Senhor Jesus Cristo propôs um conceito de liberdade tão elevado para quem quiser segui-lo, que para as pessoas que acreditam que não é possível viver sem as amarras de uma tábua de proibições, composta de ritos e caprichos supostamente divinos, torna-se um perigoso estilo de vida, mas para os que experimentam o novo nascimento e recebem uma nova natureza, ser cristão é começar a viver plenamente sendo tudo aquilo que Deus nos projetou para sermos.
Publicado originalmente: CARVALHO, César Moisés. Fé e Razão – A marcante racionalidade do Cristianismo. Mensageiro da Paz. Número 1.491, ano 79, Rio de Janeiro, CPAD: agosto de 2009.